Outro dia, entre um café e o barulho da cidade que não me deixa em paz, alguém me jogou uma daquelas perguntas que parecem simples, mas que, como um novelo de lã, vão se embolando quanto mais você puxa o fio: a leitura deveria ser obrigatória? E logo veio o reforço, quase um grito de torcida: “Sim!”. Pois bem, eu, que já vivi o bastante para desconfiar de certezas, sentei-me aqui com minha máquina de escrever imaginária e resolvi dar umas voltas nessa ideia. O “sim” tem seu charme, não vou negar. Ler é uma janela, um passaporte, uma forma de escapar da mesmice que nos engole. Quem lê não apenas decifra palavras, mas aprende a enxergar o mundo com olhos emprestados – os do autor, os da personagem, os de um tempo que não é o seu. É um exercício de liberdade, ainda que paradoxal: você se prende às páginas para se soltar da vida. Dizer que isso deveria ser obrigatório soa quase nobre, como querer que todos tenham direito a esse pequeno milagre. Imagine um Brasil onde, do Oiapoque ao Chuí, ...