segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Crônica: Dia das Crianças


Semeando histórias... Colhendo vivências 
Crônica Dia das Crianças      
Criança feliz, feliz a cantar, alegre embalar, seu sonho infantil... Quem tem uma criança viva dentro de si, com certeza saberá cantar essa canção. É com esse sentimento de recordação que quero te convidar a voltar a ser criança na Pompéia de 1970 a 1990.
Tempos bem vividos com muita inocência, quase nenhuma maldade e muita peraltice. Para pensarmos juntos, vou eleger aqui uma tríade que vai atiçar ainda mais nossa memória: a bola, a bicicleta e a rua!
A bola tinha um papel quase sagrado em nossas vidas.  Tudo parecia girar em torno dela... União, combinados, acertos e desafetos. As meninas jogavam queima e vôlei, já os meninos sempre futebol! Seja nos campos, quadras, terrenos, muros, portões e em todo espaço no qual poderia se imaginar um gol, a bola rolava... Rezava uma sabedoria popular, que a bola tinha que ser de capotão, porque as outras davam água nos joelhos... Deus nos livre!
A bicicleta era nosso grande meio de transporte, nos levando para as aventuras mais radicais. Havia duas marcas principais: Caloi e Monark. As meninas usavam a Ceci, os meninos tinham mais opções de modelos, a Monareta, a Berlineta, Cross e a Barraforte. A minha era totalmente modificada, tinha guidão de DT, a manopla era de espuma, o banco era de plástico sem molas, tinha pedaleiras, a rabeira era levantada e a maçaneta entortada, o que facilitava para empinar. Andávamos por Pompéia inteira!
A rua era onde acontecia de tudo. A alegria, o choro, os desafios, as conquistas, as derrotas, os encontros, as trocas, enfim, a tão falada hoje, sociabilização. Eu morava na rua Rio Grande do Norte, ao lado da delegacia, um local com grande concentração de moleques, uma vez que era permitido jogar futebol na quadra da cadeia. Ao longo do dia, saia grandes rachões, campeonatinhos, rebatidas e gol a gol! Nós fazíamos a festa!
 Descendo a rua Washington Luís, logo abaixo do bar do Alemão, tinha, a esquerda, a rua Particular e a direita a rua Luíz Melges, popularmente conhecida como rua Circular, onde ficava a casa do seu Gabriel, aquele que vendia peixinhos coloridos para aquários. Ali também era ponto de encontro da criançada! Na mesma rua, onde hoje tem a pista de skate, tínhamos um campo de futebol e um time formado, com direito até a um nome, o Buracão Futebol Clube.
 Na rua de cima, a rua do Grupão também foi um espaço de diversão, ficávamos ali, na frente da casa da Lila, do Badona e entre elas na rua do Beato. Um dia, silenciosamente contei, havia 18 moleques. Brincávamos de bétia, esconde-esconde, pé-na-lata, além de muitas conversas e, claro, várias zoações! Perto dali, tinha a praça do Fórum, onde também ocorria grandes clássicos futebolísticos entre a garotada, além de corridas de bicicletas!
Um outro local de concentração da criançada, era a rua que terminava na Jacto, passando pela pracinha das Mães e pela praça das Bandeiras. Gostava de andar de bicicleta ali, principalmente, porque passava em frente a casa do anão, onde sempre esticava meu pescoço para tentar ver se a mobília era igual a dos 7 anões do desenho da Branca de Neve. Na minha cabeça, o único horário que eu não podia andar naquela rua era durante a saída da Jacto, o nem mais nem menos, o tradicional e preciso 17:18hrs!
Um pouco mais longe de casa, mas que também recebia minhas visitas, era a rua Brasília para ver se conseguia bater uma bolinha na chácara dos Colabonos. Além dessa, outras ruas eram locais de reunião entre a garotada, sendo elas: a rua Quintino Bocaiuva que ligava o cafezal do Borrasca à praça do Velório; a rua Eliseu Borsari que chegava até a Santa Casa, passando pelos fundos do Colégio das Irmãs. O pessoal dali estudava no Grupinho e adorava soltar pipas; no Núcleo Bandeirantes, a molecada se reunia próximo ao campinho de areia, perto do parquinho e na rua Japão. Atrás da Prefeitura, ao redor da chácara da Brudden, também tinha muita criançada!
Quando me mudei para perto da Igreja, eu já tinha 13 anos e comecei a explorar novos espaços. Foi nessa época que eu descobri a rua mais longa de Pompéia, não me recordo do nome, mas ela começava no final do clube JK, onde hoje é o Recinto, passava ao lado do campo de malha, perto do bar do Juquinha, passava pelo bebedouro da Dinol, pela Unifibra, pela chocadeira, pela Sanisplay, pelo barracão do Uemura, pelo Sesi, pelas jardineiras do Faléco, pela creche e chegava, finalmente, na estrada que levava para Novos Cravinhos! Vocês conseguem imaginar a quantidade de crianças brincando nessa rua?
Recordando esse passado, percebo o quanto fui feliz na minha infância, junto dos meus irmãos e amigos. Espero que as crianças que vivem em Pompéia hoje, cresçam em graça, sabedoria e amor, usufruindo de tudo que a cidade possa oferecer! Feliz Dia das Crianças!!!

*Escrito por Fabio Augusto e publicado no blog: sementesdementes.blogspot.com*

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