sábado, 13 de outubro de 2018

Uma homenagem para os imortais professores que vivem em nós

Semeando histórias... Colhendo vivências
Crônica Dia dos Professores

"Ensinar
é um exercício
de imortalidade.
De alguma forma
continuamos a viver
naqueles cujos olhos
aprenderam a ver o mundo
pela magia da nossa palavra.
O professor, assim, não morre jamais..."

Dia 15 de outubro é uma data marcada para lembrarmos de nossos professores! É um momento mágico que nos faz voltar ao tempo e perceber o quanto estes profissionais foram importantes para as nossas vidas. Verdadeiros andaimes na construção de nossos saberes e conhecimentos e que de alguma forma nos instigaram a buscar possibilidades, almejando um futuro melhor! Acredito que, assim como eu, vocês vão se lembrar de alguns professores que marcaram presença no nosso crescimento moral, pessoal e intelectual.
A primeira escola que frequentei em Pompéia foi a Escola Estadual de Primeiro Grau Dr. José da Cunha Junior, o popular Grupão. Estudei ali na década de 1980, onde fiz muitos amigos e aprendi a ser gente com meus professores. Minha primeira professora foi a d. Ivani Cattai, no jardim de infância. Ela deu aula durante pouco tempo e se transformou em nossa diretora. Sendo assim, foi substituída pela d. Cynéa, a mulher do Mauro Soldado. Na pré-escola, tive aulas com a d. Luzia que me ensinou, entre outras coisas, a abotoar camisas e amarrar os cadarços dos sapatos.
Quando entrei no Primário, algumas mudanças ocorreram, o uniforme, por exemplo, deixou de ser a camiseta branca e o shorts vermelho para calça azul com camiseta branca. Lembro-me que quem usava camisa podia adquirir o brasão da escola e costurar no bolso esquerdo. A mobília também mudou, da mesa coletiva passamos a usar carteira individual. Formávamos filas no pátio para cantar o hino nacional e somente depois adentrávamos nas salas.
Na primeira série, tive aula com a d. Maria Helena Villadangos. Ela sempre usava sandálias com salto alto, o que a tornava uma gigante para nós. Foi ela quem me alfabetizou e me lembro como se fosse hoje do dia que recebi o meu primeiro livro, o qual foi uma certificação de que eu já sabia ler. Na segunda série, tive aulas com a d. Lourdes Pinotti. Ela era muito séria, mas tinha um abraço aconchegante. Na terceira série, tive a experiência de ter dois professores ao mesmo tempo, a d. Neuza Beato, que nos recebia com um sorriso sempre estampado em seu rosto, e a d. Vera Mahamud, que possuía um olhar profundo que nos passava uma tranquilidade imensa.
Na quarta série, a criançada falava que era o ano mais difícil! Tive aulas de matemática com a professora Ignês Barros, que nos cobrava saber todas as tabuadas na ponta da língua e nos ensinou alguns passos das contas de multiplicação e de divisão. Dona Odaia foi a professora de português. Ela exigia uma letra impecável e tinha uma técnica espetacular para nos ajudar a fazer descrição: colocava cartazes na lousa e tínhamos que escrever nossos textos. Lia os textos de cada aluno e pedia para ser refeito até que ficassem do jeito que ela achava melhor. Haja borracha!
Quando fui para o Ginásio parecia que o mundo tinha virado de pernas para o ar... fomos estudar nos andares superiores, as aulas eram de cinquenta minutos, um monte de professores e várias disciplinas. Me sentia muito importante em poder usar caderno grande com espiral. Ganhamos a liberdade de criar nossas próprias capas de cadernos. Inconscientemente havia uma certa competição entre os alunos em busca da capa perfeita. Muitas musas da Playboy estiveram nos acompanhando durante esses anos, estampadas em nossos cadernos!
Tive aulas de geografia com a d. Bete Cassaro, que também ministrou as disciplinas de Educação Moral e Cívica e de OSPB... A d. Cidinha Bertoni foi a professora de matemática e até hoje calculo os juros do cheque especial com a fórmula que ela ensinou... Educação artística foi dada pela d. Lígia Chicarelli, lembro-me dela nos apresentando a música Aquarela, do Toquinho e Rancho Fundo, do Chitãozinho e Xororó, bem como nos cobrando as margens no caderno de desenho... D. Keiko foi a professora de inglês. Na 7ª série ela fez um trabalho sobre os EUA, que durou o ano inteiro e na 8ª teve a famosa lista dos verbos irregulares... O Chuveirão era o professor de educação física e tinha vários bordões, sendo o mais famoso "o senhor é bobo, é?!"... D. Leila entrou no lugar dele, e foi quando começou a ter aulas de ed. física juntamente com as meninas... Em ciências, tive aulas com a d. Ademildes, que possuía um jeito todo diferente de corrigir provas, além de ter me despertado para conhecer a incrível máquina do corpo humano... Não dá para não pensar na d. Kahori sem lembrar de como ela nos instigava a ler. Ela era muito além do seu tempo... nos apresentou a série Vagalumes, livros do Pedro Bandeira, clássicos como Vidas Secas, de Graciliano Ramos e nos desafiou a montar a peça de teatro Os Saltimbancos. Por incrível que pareça até hoje sei as falas do Jumento!... Foi a d. Rose que me inspirou a ser professor de História... suas explicações me faziam deslocar no tempo, em um piscar de olhos saia de Pompéia e era capaz de chegar à Pompéia da Roma Antiga. Simplesmente maravilhoso!
Em 1990, fui fazer o Colegial na escola Cultura e Liberdade, o famoso Cene. Uma parte dos meus amigos foi estudar em Marília e a outra foi fazer o colegial noturno. A mudança de escola não foi nada fácil, uma vez que tudo era novidade... o prédio, os amigos, os funcionários, e até os professores. Lembro-me que no primeiro dia de aula, fui até a direção conversar com d. Sueli Marino, que confirmou minha matrícula também no curso noturno do técnico em Contabilidade. Confesso que foi um baque... iria estudar de manhã e à noite!
Foram meus professores neste período: o Théo, de matemática, que me apresentou a famosa equação de 2º grau... a Norma, professora de Português, que me ajudou a fazer textos dissertativos... a d. Zilda Toniollo, que tinha uma voz suave e não me esqueço de suas aulas de genética. Também não posso me esquecer da Heloísa, filha do seu Hélio, que também me deu aula de Biologia... Sandra e Ilda, professoras de geografia e o Cassaro, de História... Idraci, a professora de química, Soninha de inglês e a Simone de psicologia... O Ivan era o professor de educação física , quando eu estava no 2º colegial, ele fez um campeonato de vôlei no qual a bola podia pingar uma vez no chão. Todos os meninos adoraram!... A Shizuka, foi a professora de educação artística, em uma de suas várias atividades, ela me fez cantar e tocar um instrumento ao som de Garota de Ipanema. Que sufoco!
No curso de Contabilidade conheci uma outra realidade, a dos alunos que trabalhavam de dia e estudavam a noite. Foi uma experiência muito rica entre alunos de diversas idades e realidades. Graças a versatilidade e competência dos professores, construímos uma relação de busca de conhecimento coletivo, por isso gostaria de agradecer aqui: Cabrera, Vanderlei, Zé Carlos, Cacilda, Leozinho, Rubens Chicarelli por me ajudarem a realizar leituras de mundo tão diferentes.
Imortalizados por nós, os professores fazem parte de nossas vidas. Como é bom poder voltar ao tempo e perceber o quanto fomos cuidados, orientados e capacitados por essas pessoas que nos fizeram tão bem. Um salve para meus professores do passado! Parabéns aos educadores do presente! Rogo para que todos os docentes continuem a fazer a diferença para seus alunos! Feliz 15 de outubro!!!

*Escrito por Fabio Augusto e publicado no blog: sementesdementes.blogspot.com*

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